Embaixada de Portugal na Turquia

Ministério dos Negócios Estrangeiros

Discurso por ocasião da comemoração do Dia Nacional, 10 de Junho, o Dia de Camões e das Comunidades Portuguesas

 5925--Excelência, Vice-Ministro do Desenvolvimento, Sr. Mehmet Ceylan, Caros colegas, Embaixadores e representantes dos corpos diplomáticos, Caros membros da comunidade portuguesa na Turquia, Distintos Convidados, Senhoras e Senhores, (Hosgeldiniz, iyi akşamlar)

• A minha mulher e eu estamos honrados e felizes por recebê-los esta noite para comemorarmos o nosso Dia Nacional. Portugal e Turquia têm uma relação de amizade calorosa, que vem crescendo de vento em popa. Estamos muito orgulhosos do que conseguimos alcançar juntos e gostaria de reafirmar a nossa determinação em consolidar os laços existentes.

• Permitam-me destacar, ao nível bilateral, a assinatura de um acordo de parceria estratégica global, por ocasião da visita de Sua Excelência o Primeiro-Ministro de Portugal, a Ancara, em Dezembro de 2012, bem como três acordos, nos domínios económico, cultural e de defesa, concluídos durante a visita do Presidente Gül a Lisboa, em Maio deste ano.

• O nosso comércio bilateral atingiu um montante total de 1.000 milhões de Euros em 2012, mas há perspectivas encorajadoras de um maior crescimento; um número crescente de estudantes de ambos os países está a procurar Universidades dos dois países para estudo e enriquecimento cultural. Só no ano passado, no âmbito do programa Erasmus, Portugal recebeu cerca de 600 estudantes turcos e existe um interesse crescente na língua Portuguesa.

• Ao nível internacional, Portugal tem sido um defensor constante da adesão da Turquia à União Europeia, pois acreditamos que a UE tem muito a beneficiar de energia e diligência da Turquia, assim como a Turquia do desenvolvimento da Europa, dos valores democráticos e pacíficos, respeito pelos direitos humanos direitos e estabilidade. Congratulamo-nos com a abertura de novos capítulos, alinhamento com o acervo comunitário, bem como com o roteiro para a liberalização de vistos. E acreditamos que a Turquia vai ser capaz de prosseguir nesse caminho, de uma forma sistemática e determinada.

• Esta noite, a nossa celebração é dupla: por um lado, evocamos o nosso grande poeta nacional, Luís Vaz de Camões, que morreu em 1580; e, por outro, honrarmos todas as comunidades portuguesas e, em particular, os Portugueses que vivem no estrangeiro, que ascendem a um total de cerca de 5,5 milhões, espalhados desde a América Latina, ao sudeste da Ásia, África e Europa.

• Dessa forma, buscamos prevalecer e renovar em nós, a cada ano, o legado humanista e a visão cosmopolita do mundo de Camões. Embora privados do seu génio literário, tal como ele, comemoramos esta noite a natureza essencial partilhada de todos os seres humanos, independentemente da raça, latitude, credo ou classe social.

• Reiteramos também, é claro, o nosso amor ao nosso país, enquanto procuramos inspiração para lidar com a grande responsabilidade de projectar a nossa "pátria" para o futuro. Algo que poderíamos, tal como em Camões, encontrar nos versos do grande poeta da Turquia, Nazim Hikmet:

Tu és a minha prisão e minha liberdade,

a minha carne,

queimando como uma noite de verão,

tu és o meu País.

• E para celebrar Portugal, tenho a honra de convidá-los a partilharem connosco o gosto do Fado, um género de música que incorpora muito da nossa alma nacional, mas que também contém uma grande síntese multicultural. O Fado herdou o legado mouro dos instrumentos de corda, algum do ritmo das danças Afro-Brasileiras, o tradicionalismo das zonas rurais e, nos dias de hoje, o cosmopolitismo da poesia urbana.

• Devido à sua prosódia musical única e à comunhão que tem fomentado entre as franjas desfavorecidas da sociedade e das elites sócio-económicas, o fado foi reconhecido pela UNESCO, em 2011, como parte do património cultural intangível da humanidade.

• Senhoras e Senhores, vamos agora ter a oportunidade de ouvir a bela voz de Claudia Madur, acompanhada por dois músicos, Mário Henriques, na guitarra Portuguesa, e Artur Caldeira, na guitarra. Todos têm actuado regularmente na Europa e nos EUA, têm uma formação académica impressionante em estudos musicais e certamente serão dos melhores entre a nova geração de artistas de fado.

• Uma última palavra de agradecimento a todos os nossos patrocinadores, que também tornaram este concerto e recepção possíveis.

• Mais uma vez: obrigado por estarem connosco esta noite; desejo-vos um bom concerto e depois uma boa recepção. Divirtam-se! E como se diz em Portugal, silêncio que se vai cantar o Fado.

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